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O site partiu de uma iniciativa particular de Fabio Roberto, Trollerio e fã da marca, nosso site tem objetivo de facilitar a manutenção do seu Troller, reunindo em um só lugar tudo sobre o Troller e seus componentes além de matérias com  dicas de manutenção.  

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Distância percorrida: 12.715 km (odômetro 200486 a 213201)

Sendo:
Argentina: 6.944 km
Chile: 3.506 km
Brasil: 1.918 km
Uruguai: 348 km

Combustível
Consumo total: 1305 litros de diesel (média 9,74 km/l) 
Preços médios em R$/l: 3,56

Argentina: R$/l 3,55 ( performance 9,42 km/l)
Diesel utilizado: 
- YPF Diesel 500 Gasoil Grado 2 - 500 ppm enxofre
- YPF Diesel 800 Gasoil Grado 2 - 800 ppm enxofre
- YPF Ultra Diesel 1500 - 1500 ppm enxofre.


Na mesma bandeira YPF encontrei esses três tipos de diesel, dependendo da região da Argentina, que eles chamam de grado 2. Nos postos normalmente eles tem o grado 2 que é um desses aí ou o grado 3 que é o que se utiliza nos motores mais novos. Semelhante ao nosso S-10 no Brasil, que lá eles chamam de Euro diesel, e também mais caro.
Abasteci também na Argentina num posto Petrobrás com o Diesel+, que acredito ser o S500 (o frentista não sabia), e também tinha o diesel para os motores mais novos que lá eles chamam de diesel podium, também mais caro.[

   
Brasil: R$/l 3,38 (performance 10,25 km/l)

Diesel utilizado: 
- Petrobras e Ipiranga S-500


Chile: R$/l 3,55 (performance 9,91 km/l)
Diesel utilizado: Lá só tem um tipo, o 15 ppm de enxofre
- Copec Diesel
- Shell Diesel Extra 
- Petrobras Diesel  


Uruguai: R$/l 4,44 (performance 9,56 km/l)
Diesel utilizado:
- Ancap Gas Oil 50-S
 Porém tem a opção Ancap Gas Oil 10-S (semelhante ao nosso S-10)

Dinheiro


Levamos em espécie uma boa quantidade de cada moeda e também uma parte em dólar (importante pq na emergência quase todo lugar aceita dólar), e fizemos a compra dessas moedas antecipadamente no Brasil, para evitar contratempos com casas de cambio pelo caminho. Em outra expedição que fizemos pela America do Sul perdemos muito tempo tendo que ir em banco ou casa de cambio cada vez que precisava de grana, apesar de não ser difícil trocar o dinheiro lá fora, principalmente nas cidades de fronteira ou turísticas. Mas gasta tempo. 
Levamos dois cartões habilitados internacionalmente, um Mastercard e um Visa (bom ter as duas bandeiras) porque nem todo lugar aceita os dois. Nossa estratégia foi sempre de gastar no cartão e preservar o dinheiro em espécie para situações de emergência. Importante lembrar que tem muito pedágio, o valor é um pouco abaixo do Brasil, mas o pagamento é em espécie. 

Câmbio (no período da viagem):
Argentina: 1 Peso Argentino = 0,090 reais
Chile: 1 Peso Chileno = 0,00574 reais
Uruguai: Pesos Uruguaios = 0,11 reais

 

Roteiro: 
Saímos de Curitiba em direção a fronteira em Dionísio Cerqueira - SC, pernoitando em Pato Branco - PR no caminho. A fronteira em Dionísio Cerqueira é muito tranquila, por isso escolhemos sair por ali. 


Ao cruzar a fronteira é importante dar a entrada no País (Argentina) dos tripulantes e do carro, mesmo sendo país integrante do Mercosul, pois na fronteira seguinte que cruzar, irão pedir o registro da aduana anterior. O melhor documento para todas as situações é o passaporte. Quase nem usamos carteira de identidade, mas sempre é bom levar. Dali seguimos na Argentina em direção a Santa Fé, uma cidade grande que escolhemos apenas para pernoite. 
No dia seguinte seguimos em direção a Mendoza, onde pernoitamos  e na próxima manhã começamos a adentrar (e subir) a Cordilheira dos Andes até chegarmos no nosso primeiro objetivo, o parque nacional do Aconcágua, onde fizemos uma trilha a pé até o mirante de onde se pode avistar o maior pico das américas, o Aconcágua, com 6.962 m.

Na sequencia, a 10 km pela rodovia, saímos do asfalto e iniciamos, pelo lado Argentino, a subida para o Cristo Redentor de Los Andes, marco da fronteira entre Chile e Argentina, situado a 3832 metros de altitude. A subida é em estrada de chão em bom estado de conservação e parte de 3200 m de altitude. Não faz nem cócegas num troller. 

Mas para quem não curte, ou não quer visitar o Cristo, pode seguir por asfalto cruzando a fronteira por um enorme tunel que corta o morro do monumento. É possível subir/descer o morro do cristo por ambos os lados da fronteira, pois a aduana é integrada e está do lado chileno, 4 km a frente da saída do tunel. 


Na Aduana, para entrar no Chile, tivemos que abrir tudo, inclusive as tralhas de camping que estavam no bagageiro, procuravam por itens que podiam carregar pragas de outros países, por exemplo frutas, verduras, ovos, carnes, ou seja, produtos perecíveis, mas só tínhamos comida industrializada. A única coisa que nos questionaram foi da madeira do meu suporte do galão de combustível. Perguntou se era tratada e se eu tinha o laudo dela. Impossível né... Peguei duas tabuas aqui na esquina do meu bairro e montei o suporte. Mas afirmei a ele com convicção que sim, era tratada, e que esse material era utilizado em construção no Brasil, mas como tinha pintado não dava pra ver o carimbo. O fiscal olhou meio torto, desconfiou, mas deixou passar orientando para que da próxima vez traga um laudo ou deixe o carimbo da madeira visível. Falei... pode deixar. Depois seguimos para Santiago, local de  pernoite e turismo noturno pela bela e moderna cidade. 


Na sequencia descemos para Pucón onde escalamos o vulcão em atividade Vilarrica, algo imperdível aos que curtem esse tipo de aventura. 

Tem que reservar um dia inteiro para a escalada, ter um bom preparo físico, e ter sorte de pegar um tempo bom, que foi o nosso caso. Céu limpo sem nuvem. Na sequência descemos até Puerto Montt onde iniciamos a inacreditável Carretera Austral na Ruta 7, a estrada mais linda que já percorremos de todas as expedições que já fizemos. 

Isso é o lago Gral Carrera. Essa cor não é montagem. O troller ficou meio apagado na foto mas está ali. Fiz um vídeo desse lugar inacreditável.

Rodamos por um percurso de quase 1100 km dessa estrada em 3 dias, com duas balsas (cuidar com os horários), e misto de estrada de chão e asfalto, com muitos penhascos, lagunas, glaciares, nevados, grutas de mármore, cachoeiras, até a fronteira no município de Chile Chico, onde entramos novamente na Argentina. 
A partir daí a paisagem ficou mais deserta e monótona. Um longo trecho de asfalto e estrada de chão até El calafate com quase nada nem ninguém, nem casas, nem pessoas, nem posto, nem cidade. 

Nessa foto atravessei e deixei o carro sem pressa na pista pra tirar uma foto.  

Retas intermináveis com muito vento, que chegava a tirar o troller da pista algumas vezes, e estrada com buracos em alguns pontos. Trecho que exige cuidado, que é melhor fazer de dia, e ter tanque cheio de combustível ou reserva. Usamos nossa reserva de 40 litros nesse trecho, porque não encontramos posto. 
Chegando em El Calafate, nos surpreendemos muito com o tamanho da cidade e a quantidade de pessoas e turistas que lá circulam. Um contraste violento do que vimos durante nosso deslocamento durante o dia, mostrando que o principal acesso da cidade não acontece por onde viemos, e sim por outras cidades como Rio Galegos e também por avião. A cidade tem ótima infra estrutura turística, e o Glaciar Perito Moreno é algo indescritível. 

Amanhecendo: ao fundo o Glaciar Perito Moreno

Ficamos o dia todo observando a queda dos enormes blocos de gelo no local. Reservar mais de uma noite aqui é obrigatório. Chegamos com o carro a 1 km do glaciar. 
No dia seguinte seguimos, debaixo de muito vento e no mesmo tipo de estrada, para o parque Torres del Paine, que já é Chile (de novo fronteira, mais tranquila dessa vez) onde, após a aduana, acessamos pelo norte do parque na portaria da Laguna Amarga (lá tem várias portarias), para fazer o parque de norte a sul pelos caminhos possíveis de carro e visitando todos os pontos de observação mais famosos da região.

 No parque as estradas são todas sem pavimento, mas em bom estado. Super tranquilo. Acampamos lá para aproveitar bem e no dia seguinte seguimos para o Sul, em direção a Puerto Natales. Obs: o parque tem várias regras de acesso e paga-se para entrar. Importante se informar antes de acessar.
De Puerto Natales(Chile) fomos em direção a Ilha da Tierra del Fuego onde passamos pela balsa do estreito de Magalhães em Punta Delgada (travessia curta, mas que tem balsa a todo momento) para pernoite em Rio Grande (Argentina). Depois da Balsa, tem uma aduana distante,  em San Sebastian, mas o processo de entrada na Argentina é bastante tranquilo.   
Depois disso seguimos até Ushuaia onde ficamos duas noites e 3 dias. 

Fizemos todos os caminhos do Parque da Tierra del Fuego, visitamos o museu e presídio de Ushuaia e subimos, debaixo de uma tempestade de neve, o Glaciar Martial. 


Retornamos passando por Puerto Madryn, local onde se observa parte da fauna austral. Depois seguimos para Buenos Aires onde pegamos o Buquebus, o ferry boat mais rápido do mundo até Montevideo (medi 92 km/h). Dali seguimos para o Brasil entrando pelo Chuí.

Fronteiras e Fiscalização:
Cruzamos 8 vezes as fronteiras. Nenhum problema. Chile sempre mais rigoroso pra entrar por ser um país com o título de livre de pragas. Perde-se sempre mais tempo pra adentrar, mas pra sair é mais tranquilo. Demais países super tranquilo, nem olhavam o carro, perguntavam empolgados sobre a expedição.


Quanto a fiscalização em deslocamento, não fomos parados nenhuma vez no Chile, nem no Uruguai, mas na Argentina, chegamos a contar 15 vezes num único dia. Toda entrada e saída de cidade tem posto policial com guarda na pista. Pra mim que viajo sozinho com a mulher acho legal a presença do estado. Todo mundo que passa ali tem que falar com o guarda. Nenhum problema com propina, nem nada desse tipo. Policiais fazendo seu trabalho e a gente a nossa parte com toda a documentação necessária nas mãos. De novo oficiais animados com a expedição. Perguntam muito sobre o jipe e o roteiro. Não pediram nenhuma vez kit de primeiros socorros, cambão, colete, dois triângulos, placa 110 km/h, etc.... nada disso. E eu tinha quase tudo.  Nem questionaram pneus, led, anilha e guincho. Foi muito tranquilo para nós. E assim foi também em 2018 quando fizemos um roteiro diferente mais passando por vários países vizinhos pela America do Sul. Talvez tivemos sorte, mas realmente não usei nada disso. Importante coisas básicas de comportamento, que não são regras, mas que ajudam, ao passar por um posto policial, como acender luzes internas a noite, baixando a externa. De dia, tirar óculos escuro e chapéu/boné para o oficial te enxergar e, acima de tudo, demonstrar colaboração para o trabalho do oficial. Não reclamar de ter que abrir bagagens e outras tralhas  pra mostrar. Parece básico mas faz muita diferença. Quem não deve não teme. 

Segurança
Nada a declarar. Carro dormiu na rua vários dias com as tralha em cima. Ninguém mexeu. Ou tive sorte ou estamos muito mal no Brasil como referência. 

Manutenção
Corretiva: nada grave. Vazou arrefecimento, mas detectado pelo mágico sensor de nível, um dos melhores investimentos que já fiz no meu jipe. É impagável a tranquilidade numa viagem desse tamanho. Vazamento por braçadeiras que afrouxaram. Reaperto e completado o nível. Também lâmpadas queimaram mas eu tinha e substituí. Quebrou o vidro com pedra, chegou a furar e voar estilhaços pra dentro, mas tapei e fixei com Araldite e Silvertape e tá bão até agora. 
Preventiva: troquei filtro de combustível aos 10 mil km (levei pra isso). Engraxei cardans (levei graxa e bomba manual). Troquei o óleo do motor  e filtro aos 11.500 no Brasil. Na Argentina estavam cobrando em torno de 50 reais o litro de óleo, além da dificuldade de achar um lugar para tal. Achei uma oficina que me orçou 500 reais a troca: Óleo + MO. Botei militec, que já tava na hora e segui pra trocar no Brasil. Chegando no Brasil já fiz a troca na primeira oportunidade, já trocando também o filtro de óleo que levei para isso.

Acomodações e pernoites
 Para os primeiros dias de viagem, devido aos longos deslocamentos, reservamos hotéis nos destinos para chegar e somente dormir. A partir de Santiago pra frente, onde não tínhamos mais quase nada certo, nossa intenção era acampar o máximo possível. Porém encontramos e nos surpreendemos com as ótimas alternativas de cabanas que existem por toda a parte na patagônia. Diferente do Brasil, cabana lá, no Chile e na Argentina, não é significado de luxo, tem muita cabana simples que fica muito mais em conta que um quarto de hotel e que ainda pode-se economizar nas refeições, pois sempre levamos nossa própria comida. Esses locais muitas vezes tem cozinha, comunitária ou privada. Pra nós é sinônimo de janta e café da manhã fartos, num preço muito tranquilo. Sem contar a tranquilidade e conforto no frio dessas regiões. Foi algo que nos surpreendeu e ajudou no bolso.   

Peças e sobressalentes
Abaixo segue a lista das peça, sobressalentes e insumos de manutenção embarcados. Obviamente essa é uma lista bem personalizada para a condição em que se encontrava meu troller antes da viagem. Eu mesmo fiz a revisão do carro, então alguns itens que já sabia que não estavam em perfeito estado foram incluídos por precaução. Em cada expedição essa minha lista muda um pouco conforme o estado do meu troller. Alguns itens sempre repetem, pois são indispensáveis.

Sistema arrefecimento:
- Bomba Dágua
- Mangueira superior radiador
- Mangueira inferior radiador
- Água desmineralizada
- Aditivo para arrefecimento
- Mangueira do reservatório ao radiador
- Hélice (sem viscosa)

 Freios:
- Jogo de pastilha traseiro
- Jogo de pastilha dianteiro
- Flexíveis dianteiros
- Flexíveis traseiros
- Fluido DOT4
- Mangueira da bomba de vácuo
 
Embreagem:
- Cilindro mestre
- Cilindro auxiliar
- Fluido DOT4
 
Rodas:
- Rolamento interno do cubo (1 unid)
- Rolamento externo do cubo (1 unid)
- Trava aranha
- Retentor do cubo
- Prisioneiros da Roda (6x)
- Prisioneiro do semi eixo/roda livre (6x)
 
Suspensão:
Como estava tudo em ordem e os itens principais novos, não levei nenhum componente. 

Sistema de Combustível
- Filtro de Combustível
- Bomba de baixa
 
Direção
- Amortecedor de direção
- Fluido de direção hidráulica
- Kit de reparo caixa de direção
 
Admissão
- mangueira da turbina
- mangueira do intercooler ao coletor de admissão
 
Transmissão
- Óleo do cambio e reduzida
- Óleo dos diferenciais
 
Motor e Acessórios
- Correia
- Polia do Alternador
- Polia do Tensor
- Tensor da correia
- Óleo do Motor
- Filtro de Óleo
 
Elétrica
- Alternador
- Motor de Arranque
- Reles (todos)
- Fusíveis (todos)
- Lâmpadas (todas as funcionais externas)
 
Diversos
- Silver Tape
- Abraçadeira plástica média (hellerman)
- Abraçadeiras metálicas (diversos tamanhos)
- Militec
- Araudite
- Solda Plástica
- Arame de aço
- kit macarrãozinho para pneus
- Silicone alta temperatura
- Graxa NGLI EP2 (+ bomba manual)
- WD40
- Limpa contato
- Fita isolante

Em cima da mesa os itens que embarcaram. Couberam em duas caixas plásticas modelo Hortifruti. 

 

Acompanhando isso tudo, logicamente foram as ferramentas para execução de algum tipo de manutenção emergencial. Umas caixa Robust automotiva de 178 pçs, uma xing ling com diversos, outra que montei com ferramentas específicas, e mais uma com scanner, multimetro e medidor de temperatura.

 

Em resumo:
Uma viagem inesquecível, por lugares indescritíveis, onde nossa maior apreensão é a nossa saúde e a confiança no carro para que não nos abandone no meio nada, coisa que o troller nos garantiu sempre, nessa e nas outras muitas expedições que fizemos. Sempre bom comentar que uma viagem sozinho é necessária muita cautela, pois não há ninguém para socorrer e existem muitos, mas muitos lugares nesse trajeto, que não encontramos nada nem ninguém, às vezes num raio de 100 km. Bom pesquisar antes o trajeto. Usamos os galões de combustível 2x na emergência. Ficamos no prego. Mas tínhamos reserva. Outro ponto a comentar é a hospitalidade desses locais que visitamos. Fomos muito bem tratados e recebidos em todos os lugares, apenas com alguma ressalva para os centros urbanos de Buenos Aires e Montevideo, onde o clima e a indiferença da cidade grande já se fazem presentes. 

 

Abraço

 

Daniel T4 Clube 0048

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